domingo, 20 de setembro de 2009

cão molhado

Aquele cão encardido, amedrontado se recolhe na marquise de minha casa em dias chuvosos.
Sua sujeira fica ainda mais em evidência devido à pelagem molhada, fedida. Como de costume, tento chamá-lo para dar-lhe atenção e assim oferecer a ração estocada em minha casa, do cão mimado que lá reside. Uma nova tentativa frustrada. Sendo assim, deixo a ração num canto e logo ela desaparece, mas para que ela suma, devo me esconder. Enquanto o cão se sente observado, ele não come, prefere se entender como invulnerável a morrer de fome. Então faço sua vontade e me escondo. Quando a chuva passa, ele passa junto. E com sua partida, o sentimento de culpa fica, mas logo some, até a próxima chuva.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

mito da 7ª

Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante, diante do alinhamento dos seus nove, oito planetas, ocorria o baile anual de formatura, onde a menina mais feia de escola, acompanhada do nerd, solta seus cabelos, dentro de um vestido provocante e se torna a garota mais cobiçada da festa.  Assim, o seu amigo de infância, o atual capitão do time de futebol americano, perceberá o quanto a ama, dando um fora na líder de torcida, que durante o último ano do colegial, acreditava ser a mulher de sua vida. Inconsolavelmente, a líder de torcida é humilhada por todas as suas amigas metidas.
Nesse clima de amor, além do fator astronômico, do posicionamento dos planetas, é fecundado o mais lindo e aclamado ser de todos os tempos, o clichê.
E vale ressaltar, que ao final do baile, os nerds encontram suas caras metades, igualmente nerds.

domingo, 6 de setembro de 2009

Prosa de Nêgo Véio

Oia meu sapato branco
branco quiném as nuvem
i pra num suja
Ieu ando num vai e vêm

Meu chápeu de páia
meu píto de páia
Num minto, é puis quê
isso é que atrapáia

Minha bengalinha de braúna
Inté fico preta
Iguar as ave di Graúna

Espia só indonde andei
São uns monte de caminhu
Mas o fim da linha nem ieu sei

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

E gritei um grito de felicidade quando já não mais havia motivo para sorrir.
Esqueci-me da Morte e por Ela passei saldando-a.
Quando minha morte chegou, a Morte disse: Enterro um trapo roto, mas levo um menino peralta.
E ensinei à Morte algumas canções que aprendi enquanto não chorava.
Ela me disse que poucos cantavam para Ela, porque estavam ocupados em sofrer.
Eu gritei de felicidade e a Morte sorriu seu recomeço como um dia que Nasce.

domingo, 30 de agosto de 2009

wild screen




por Daniel Braga e André Tostes.
(clique na imagem para visualizá-la melhor)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

E eu acho que foi assim...

E assim ocorreu... foi num dia que ninguem se lembra, não porque foi um dia não bom... mas porque foi um dia que as pessoas olharam e disseram que foi como qualquer outro. Como qualquer outro... talvez um "menos um dia da semana" ou "ufa"... mas eu estava lá, eu acho... as Nuvens caminhavam pelo Céu a poupar o Sol de ver nosso desprezo pelas flores, e a querer chorar por ver nosso descaso com os Ventos. Um Raio dourado penetrou pela janela do meu quarto e invadiu meu coração, me trouxe uma idéia clara, diáfana, bela, rara. Me encheu de Luz. Assim, um Raio me deixou feliz e, era Ele, dourado sim. Meu coração agora já não batia, mas sim pulsava energia contemplativa. E fui embora. Foi quando a fuligem das idéias mal concatenadas golpeou meu coração, chorei. Reergui-me em alguns dias, e no meu coração as fuligens nunca mais entrarão. Hoje os Pássaros não cantam mais pra mim, mas para todos os corações que estão dispostos a amá-los sem os sonegar ou privá-los de amar.

domingo, 19 de julho de 2009