sábado, 23 de janeiro de 2010

Existe uma idéia implícita no “todos os riscos”, uma coisa que vem do nosso tempo, essa geração que pouco a pouco começa a falar de si, e de tantas formas! São tantas as formas que temos para contar as nossas histórias!
Não temos uma mensagem, uma moral, muitas diferenças e muitas coisas em comum fazem nosso desejo de escrever aqui, no mesmo “lugar”.
Um dia nós tivemos a idéia, e o Tostes veio com o nome e a frase “faça do risco o que você quiser”, eu gostaria que todos vocês vissem-na como um convite, acho que esse convite é tudo o que nós significamos.
Um convite às pessoas que queiram ou precisam contar suas próprias histórias, nossas histórias, qualquer uma que nasça de nós. Um convite que se estenda às nossas vidas, ao cotidiano, à amizade (por que não?); uma proposta de comunhão.
Se pudermos construir nossas histórias, como um diálogo eterno com o passado e com o futuro, poderemos juntos construir nosso próprio tempo, através de nossos próprios riscos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010



Não sei se é porque nasci com o pé na estrada que me desapeguei tão facilmente de onde tive que crescer. Convivi pouco com o mar ao longo da infância, frustração de hoje, ao ver jovens crescendo a deriva. É difícil negar que a maresia corrói meu coração cheio de saudades da roça, porém afirmo em tom de oratória que foi esse mesmo mar traiçoeiro, quem preencheu o vazio com tamanha imensidão de meu Deus. O mar faz tantos milagres que até me fez acreditar na alma, que há muito não me prendia. Porém, por vezes só ele existe, o mar existe. Desde que passei a viver o mar, sonho diariamente que possuo um par de asas que fazem ser quase livre, só vivendo preso ao litoral. Esse simples fato explica eu ser um animal marinho nos sonhos, uma gaivota mais precisamente, pros desavisados e despercebidos.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Pequeno ensaio sobre incertezas

Me curvarei diante da verdade como quem nada quer. A verdade seja dita como água de apagar incêndio. Se a verdade é o caminho, o primeiro passo é abrir os olhos. Se a verdade é o fim, o primeiro passo é seguirmos juntos, cada um no seu caminho. Como me encontro semi-desperto, sei da mentira, mas não sei da verdade. O que é verossímil é real, mas não é a verdade que eu quero. Vivamos em guerra pela paz e mentindo para viver.

O Grande Temporizador Programável Microcontrolado

É tudo tão pequeno e mínimo
O micro controla o macro
Sinergia se faz onde me sento
Sinto o vento dos tempos
Acabo de torcer meu coração
Que grita e toca o impossível
O menor dos sopros
Clama pela atenção do maior dos cães
Um temporizador programável microcontrolado
Algo tão amável quanto o bionismo
Chega agora em suas mãos
Deixe os grãos no chão
A Terra acolhe nossas escolhas
E escolas
É tudo tão mínimo
Que minhas sinapses são retrocesso
Não caibo em mim de tão grande que queria ser
Deixe o tempo para quem sabe do que se trata
Somos todos um amontoado de micros
Pseudo-Temporizados e controlados
Floresce então minha vida e morre
Como a Terra escolhe

sábado, 19 de dezembro de 2009

Não sei se podemos ver futuro na borra do café, mas sei que podemos ver nosso passado refletido no liquido preto. O passado deve ser sempre bonito, mesmo que embelezado pelo alívio. O menino anda reproduzindo um lema, que não é seu, mas foi adquirido, “a vida é sofrimento”, é isso que lhe salva todos os dias. Isso lhe permite não ser amargo com as pessoas e agüentar o tranco.
Os homens são bípedes e isso significa que andam com duas pernas, além disso, alguns deles só conseguem pensar exercendo essa faculdade. Por isso o menino anda, pra pensar, pra sobreviver, ele anda porque se ficar parado ele esquece que a vida é sofrimento e pode acabar se matando por isso.
A rua é o motivo de existência por excelência. Lá o homem encontra os outros homens. As pessoas de verdade são aquelas que não conhecemos. Os pais, o irmão, os amigos, não são pessoas, não representam nada. Eles se destacam para se tornar “José”, “Pedro”, “Tostes” ou o que seja. Pessoas são os outros e os outros são o motivo das nossas vidas.
Sair de casa não é apenas ver os “outros” mas ser um deles, prazer encantador esse de ser anônimo.
Gosto dos personagens constantes da rua: aquele mesmo velho no bar, aquela mesma menina linda com a qual sempre trocamos olhares, aquele mesmo mendigo, enlouquecendo aos poucos.
Não sei se é possível ver o futuro de qualquer forma, mas sei que a cidade está refletida no café. Ele nos chuta para fora de casa e nos mostra que a vida é sofrimento, o café é um “outro”.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Era uma viagem ao inimaginável
uma efervescência côsmica
se deleitar com aquilo era obrigatório
epicurismo serão as histórias contadas
banquetes a mesa, fartos
visões iridescentes de numa nuvem eterna
velocidade se tornou termo descabido
aqui, aqui, aqui
se de olhos fechados estava claro
abri-los significava nascer novamente
e manter aberta a mente era como fechar uma torneira
o cérebro se mesclou ao coração
e estômago ao palpável
queria um vocabulário com infinitas possibilidades
para infinitas descrições
e fica aqui nem o meu êxtase
porque não posso limitar o pôr-do-Sol
a algo laranja e belo
é a morte
era realmente uma viagem ao impossível
morte à poesia,
enquanto não houver um vocabulário poético
à vocês selvagens,
baterei num tambor e entenderão
isso basta!!

domingo, 6 de dezembro de 2009

As viagens de José: a primeira vez que eu vi o mar

A Primeira vez que eu vi o mar eu era um pouco menos gente, a estrada havia tirado tanto de mim, tanta carne e tanta vontade que eu apenas seguia, sem olhar placas e pessoas que por mim passavam. Não lembrava mais da minha casa ou das pessoas que eu amava, eu era sozinho em um mundo infinito e desabitado, eu pensava que isso era paz e pensava que era o que eu queria.
Então apareceu zombando dos meus olhos o infinito por excelência, aquele que parece fazer o céu lhe seguir, coisa absurda o mar. Eu o olhei como uma criança, e a paixão dos homens antigos se apossou de mim, era preciso lhe enfrentar, estava na minha natureza, entendi que era para isso que o homem foi criado, cada individuo sobre a terra em suas casas ou na estrada, eram traidores da espécie que nasceu apenas para triunfar sobre o mar.
“Parece que não acaba nunca né? Esse bichão engole a gente e deixa nossas mulheres chorando, achando que não volta mais. E então, ele nos cospe triunfante e devolve uma coisa magra e salgada para casa. O mar é pior que a guerra, meu amigo”. Era um homem negro cuja idade era impossível calcular, que vendo meus olhos encantados, disse-me essas coisas... E eu, me vi novamente como uma criança sob as palavras maiores de um velho viajante.