Poesia vibrando num mundo sem nuvens carregadas
O som acordando o mundo para o novo dia
A luz bebendo a escuridão mansa da noite
O Sol bailando entre as folhas das arvores
A semente miuda sonhando roçar as estrelas
Um dia quem sabe
Acordaremos para ver esse dia
Que desponta sem peso
Com energia
E muita galhardia
domingo, 7 de novembro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Tomando notas da vida I
Cidade
Às vezes sonho que sou a cidade, e acordo sozinho.
Referência.
Ela era bonita? Era. Mas faltava nota de rodapé.
Cuidado.
Tudo que o antropólogo olha vira folclore.
Um segredo perverso:
O bom das balas perdidas é que às vezes acham o alvo certo.
Às vezes sonho que sou a cidade, e acordo sozinho.
Referência.
Ela era bonita? Era. Mas faltava nota de rodapé.
Cuidado.
Tudo que o antropólogo olha vira folclore.
Um segredo perverso:
O bom das balas perdidas é que às vezes acham o alvo certo.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Kundalini
Ainda o risco de uma explosão luminosa multicolorida
algo tão iridescente quanto o próprio Universo
o rasgo da consciência numa vertente de gozo
o fim do princípio culminando numa adolescencia
o paradoxo de sentir que não sente nada
de saber que não sabe
o calor da ruptura conceitual invadindo o mundo
a Serpente Alada que domina
a explosão luminosa de infinita luz que se faZ.
algo tão iridescente quanto o próprio Universo
o rasgo da consciência numa vertente de gozo
o fim do princípio culminando numa adolescencia
o paradoxo de sentir que não sente nada
de saber que não sabe
o calor da ruptura conceitual invadindo o mundo
a Serpente Alada que domina
a explosão luminosa de infinita luz que se faZ.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Cravei minhas mãos na terra e pude sentir minha vida ecoando dentro da vida. O sertão agreste de meu coração se tornou fonte jubilosa de dádivas perenes junto ao corpo universal. Sem medispor ao talhar do mundo, me vi correndo rumo às infinitas realizações. Minha Mãe nunca me esqueceu, ralhava meu sentimento de abandono dentro de mim. Os Raios do Sol então se fizeram perceptíveis à minha insignificância perfectível. Tornei-me um só. Ave Ser Eterno. Todo aquele ser miseravel que existia deixou de o ser, passaram a ser tantos quanto eu.
Então recolhi minhas mãos, que um dia foram garras, e minha refrega continuou, a insensata compreensão da Realidade como o arquiteto que conhece desde a sapata do edifício, suas telhas e instalações, contra quem ainda não saiu de seu quarto escuro.
Então recolhi minhas mãos, que um dia foram garras, e minha refrega continuou, a insensata compreensão da Realidade como o arquiteto que conhece desde a sapata do edifício, suas telhas e instalações, contra quem ainda não saiu de seu quarto escuro.
terça-feira, 9 de março de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Quando menor, achava que meu vô era um velho teimoso e
irritante. Minha vó, amável e fiel, com sua paciência de Jó, sempre o aturava sem
mais lamentações, acreditava que aquilo era o certo a se fazer, já que fez
juras de lealdade no altar, porém pra mim, aquilo mais parecia uma penitência
eterna.
Essas amolações me incomodavam. Eu sempre a defendia, mas só
em pensamento, afinal: "em briga de marido e mulher, não se mete a
colher", como ela mesma sempre dizia e eu sempre obedecia.
O tempo passou e eu nunca imaginei que fosse me tornar igual
a ele. Aos 20 poucos anos, já sou ranzinza que só vendo, criador de
conspirações, onde eu sou o rei da verdade.
Agora eu me pergunto, se isso é hereditário, imitação
prestigiosa ou se é coisa da idade.
A única diferença entre mim e ele, se encontra na minha
capacidade de admitir que eu sou assim, pelo menos por enquanto.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Uma outra coisa no mar (ou, A história dos homens)
Corriam indefesas nas nobres espumas,
Aves que nos davam asco,
Sem vida, sem plumas...
Batendo (sedentas!) no grave casco.
O mar deslizou sob nossas sombras,
Devorando-as com uivos febris,
Como lobos vigiando as sobras,
Não distinguindo o leão da flor de lis.
Se a liberdade nos arrancava dos lares,
O mar nos saudava com os dentes frios
Criando para os cadáveres,
A grande dança dos rios...
Aves que nos davam asco,
Sem vida, sem plumas...
Batendo (sedentas!) no grave casco.
O mar deslizou sob nossas sombras,
Devorando-as com uivos febris,
Como lobos vigiando as sobras,
Não distinguindo o leão da flor de lis.
Se a liberdade nos arrancava dos lares,
O mar nos saudava com os dentes frios
Criando para os cadáveres,
A grande dança dos rios...
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