Cravei minhas mãos na terra e pude sentir minha vida ecoando dentro da vida. O sertão agreste de meu coração se tornou fonte jubilosa de dádivas perenes junto ao corpo universal. Sem medispor ao talhar do mundo, me vi correndo rumo às infinitas realizações. Minha Mãe nunca me esqueceu, ralhava meu sentimento de abandono dentro de mim. Os Raios do Sol então se fizeram perceptíveis à minha insignificância perfectível. Tornei-me um só. Ave Ser Eterno. Todo aquele ser miseravel que existia deixou de o ser, passaram a ser tantos quanto eu.
Então recolhi minhas mãos, que um dia foram garras, e minha refrega continuou, a insensata compreensão da Realidade como o arquiteto que conhece desde a sapata do edifício, suas telhas e instalações, contra quem ainda não saiu de seu quarto escuro.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Quando menor, achava que meu vô era um velho teimoso e
irritante. Minha vó, amável e fiel, com sua paciência de Jó, sempre o aturava sem
mais lamentações, acreditava que aquilo era o certo a se fazer, já que fez
juras de lealdade no altar, porém pra mim, aquilo mais parecia uma penitência
eterna.
Essas amolações me incomodavam. Eu sempre a defendia, mas só
em pensamento, afinal: "em briga de marido e mulher, não se mete a
colher", como ela mesma sempre dizia e eu sempre obedecia.
O tempo passou e eu nunca imaginei que fosse me tornar igual
a ele. Aos 20 poucos anos, já sou ranzinza que só vendo, criador de
conspirações, onde eu sou o rei da verdade.
Agora eu me pergunto, se isso é hereditário, imitação
prestigiosa ou se é coisa da idade.
A única diferença entre mim e ele, se encontra na minha
capacidade de admitir que eu sou assim, pelo menos por enquanto.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Uma outra coisa no mar (ou, A história dos homens)
Corriam indefesas nas nobres espumas,
Aves que nos davam asco,
Sem vida, sem plumas...
Batendo (sedentas!) no grave casco.
O mar deslizou sob nossas sombras,
Devorando-as com uivos febris,
Como lobos vigiando as sobras,
Não distinguindo o leão da flor de lis.
Se a liberdade nos arrancava dos lares,
O mar nos saudava com os dentes frios
Criando para os cadáveres,
A grande dança dos rios...
Aves que nos davam asco,
Sem vida, sem plumas...
Batendo (sedentas!) no grave casco.
O mar deslizou sob nossas sombras,
Devorando-as com uivos febris,
Como lobos vigiando as sobras,
Não distinguindo o leão da flor de lis.
Se a liberdade nos arrancava dos lares,
O mar nos saudava com os dentes frios
Criando para os cadáveres,
A grande dança dos rios...
sábado, 23 de janeiro de 2010
Existe uma idéia implícita no “todos os riscos”, uma coisa que vem do nosso tempo, essa geração que pouco a pouco começa a falar de si, e de tantas formas! São tantas as formas que temos para contar as nossas histórias!
Não temos uma mensagem, uma moral, muitas diferenças e muitas coisas em comum fazem nosso desejo de escrever aqui, no mesmo “lugar”.
Um dia nós tivemos a idéia, e o Tostes veio com o nome e a frase “faça do risco o que você quiser”, eu gostaria que todos vocês vissem-na como um convite, acho que esse convite é tudo o que nós significamos.
Um convite às pessoas que queiram ou precisam contar suas próprias histórias, nossas histórias, qualquer uma que nasça de nós. Um convite que se estenda às nossas vidas, ao cotidiano, à amizade (por que não?); uma proposta de comunhão.
Se pudermos construir nossas histórias, como um diálogo eterno com o passado e com o futuro, poderemos juntos construir nosso próprio tempo, através de nossos próprios riscos.
Não temos uma mensagem, uma moral, muitas diferenças e muitas coisas em comum fazem nosso desejo de escrever aqui, no mesmo “lugar”.
Um dia nós tivemos a idéia, e o Tostes veio com o nome e a frase “faça do risco o que você quiser”, eu gostaria que todos vocês vissem-na como um convite, acho que esse convite é tudo o que nós significamos.
Um convite às pessoas que queiram ou precisam contar suas próprias histórias, nossas histórias, qualquer uma que nasça de nós. Um convite que se estenda às nossas vidas, ao cotidiano, à amizade (por que não?); uma proposta de comunhão.
Se pudermos construir nossas histórias, como um diálogo eterno com o passado e com o futuro, poderemos juntos construir nosso próprio tempo, através de nossos próprios riscos.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Não sei se é porque nasci com o pé na estrada que me desapeguei tão facilmente de onde tive que crescer. Convivi pouco com o mar ao longo da infância, frustração de hoje, ao ver jovens crescendo a deriva. É difícil negar que a maresia corrói meu coração cheio de saudades da roça, porém afirmo em tom de oratória que foi esse mesmo mar traiçoeiro, quem preencheu o vazio com tamanha imensidão de meu Deus. O mar faz tantos milagres que até me fez acreditar na alma, que há muito não me prendia. Porém, por vezes só ele existe, o mar existe. Desde que passei a viver o mar, sonho diariamente que possuo um par de asas que fazem ser quase livre, só vivendo preso ao litoral. Esse simples fato explica eu ser um animal marinho nos sonhos, uma gaivota mais precisamente, pros desavisados e despercebidos.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Pequeno ensaio sobre incertezas
Me curvarei diante da verdade como quem nada quer. A verdade seja dita como água de apagar incêndio. Se a verdade é o caminho, o primeiro passo é abrir os olhos. Se a verdade é o fim, o primeiro passo é seguirmos juntos, cada um no seu caminho. Como me encontro semi-desperto, sei da mentira, mas não sei da verdade. O que é verossímil é real, mas não é a verdade que eu quero. Vivamos em guerra pela paz e mentindo para viver.
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